Estudo: profissionais de saúde da América Latina enfrentam depressão na pandemia

Especialistas passaram a lidar de forma mais intensa com a perda de pacientes, o medo do contágio e a distância de familiares

Lucas Rocha e Giulia Alecrim da CNN em São Paulo - 14/01/2022 às 17:15


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De acordo com o relatório, entre 14,7% e 22% dos profissionais entrevistados em 2020 apresentaram sintomas que levaram à suspeita de um episódio depressivo Breno Esaki/Agência Saúde DF

A pandemia de Covid-19 levou ao aumento da carga de trabalho por profissionais de saúde de diferentes especialidades. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e socorristas, entre outros trabalhadores, passaram a lidar de forma mais intensa com a perda de pacientes, o medo do contágio e a distância de familiares, especialmente nos primeiros meses da pandemia.


Um estudo liderado pelas universidades do Chile e da Colômbia revelou que trabalhadores de saúde de 11 países latino-americanos apresentam altas taxas de sintomas depressivos e outros prejuízos para a saúde mental. A pesquisa contou com a colaboração da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).


De acordo com o relatório, entre 14,7% e 22% dos profissionais entrevistados em 2020 apresentaram sintomas que levaram à suspeita de um episódio depressivo. Em alguns países, apenas cerca de um terço dos especialistas que afirmaram precisar de atendimento psicológico receberam o auxílio.


“A pandemia mostrou o desgaste dos trabalhadores de saúde e, nos países onde o sistema de saúde entrou em colapso, o profissional sofreu com jornadas extenuantes e dilemas éticos que tiveram impacto em sua saúde mental”, disse Anselm Hennis, diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da Opas em um comunicado.


Estudo ouviu mais de 14 mil profissionais

Os pesquisadores realizaram entrevistas com 14.502 trabalhadores de saúde de países como Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Bolívia, Guatemala, México, Peru, Porto Rico, Venezuela e Uruguai. A consulta contou com a participação de pesquisadores de dezenas de instituições.


Entre os principais fatores que afetaram a saúde mental dos profissionais está a necessidade de apoio emocional e financeiro, preocupação em transmitir a doença aos familiares, conflitos com parentes de pessoas infectadas e mudanças nas funções de trabalho.


Como medidas de proteção para a saúde mental, o estudo destaca a confiança na instituição de saúde e no governo para lidar com a pandemia, o apoio dos colegas, além de considerações espirituais e religiosas.


O relatório recomenda ações, no contexto de políticas públicas, direcionadas ao cuidado com a saúde mental dos profissionais de saúde, incluindo a garantia de condições de trabalho e remuneração adequadas, condições contratuais estáveis ​​e espaços de conversa e incentivo ao autocuidado.

(Com informações da Organização Pan-Americana da Saúde).


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