Tratamento para depressão reduziu sintomas de 90% dos pacientes em testes

Pesquisadores da Universidade de Stanford aperfeiçoaram estimulação magnética do cérebro e, inclusive, observaram melhoras nas habilidades cognitivas dos voluntários



Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, desenvolveram uma nova forma de estimulação magnética do cérebro que rapidamente aliviou os sintomas de depressão grave em 90% dos participantes de um pequeno estudo. Os testes foram realizados em 21 voluntários e os resultados foram publicados nesta segunda-feira (06), no American Journal of Psychiatry.


O tratamento foi chamado de Terapia de Neuromodulação Inteligente Acelerada de Stanford (SAINT, em inglês) e é uma forma de estimulação magnética transcraniana, método aprovado por autoridades norte-americanas. O tratamento consiste em gerar correntes elétricas na região do cérebro relacionada à depressão. Para isso, uma bobina magnética é colocada no couro cabeludo do paciente.



Outras versões do método já são utilizadas por profissionais norte-americanos: são sessões diárias do tratamento durante 6 semanas. Entretanto, apenas metade dos pacientes apresenta alguma melhora e só um terço experimenta remissão da doença.

"Nunca houve uma terapia para a depressão grave cuja taxa de remissão fosse maior do que 55% na fase de testes", disse Nolan Williams, um dos pesquisadores, em comunicado. “A terapia eletroconvulsiva é considerada o padrão-ouro, mas possui uma taxa média de remissão de apenas 48% na depressão grave."



Nova abordagem Os pesquisadores de Stanford levantaram a hipótese de que algumas modificações na estimulação magnética transcraniana poderiam melhorar sua eficácia. Estudos sugeriram que uma dose mais forte, de 1.800 pulsos por sessão, em vez dos 600 aplicados normalmente, seria mais eficaz.




Nesta foto, o pesquisador Nolan Williams e a voluntária Deirdre Lehman demonstram como o paciente é posicionado durante o tratamento (Foto: Steve Fisch/Universidade de Stanford)




Ao estudar as partes do cérebro que eram estimuladas, o estudo também focou em outras possíveis áreas do tecido nervoso que poderiam ser beneficiadas pelo tratamento. De acordo com os cientistas, hoje, o estímulo é direcionado para o local onde está o córtex pré-frontal dorsolateral, região responsável por regular "funções executivas" como selecionar memórias apropriadas e inibir respostas inadequadas.



Para o SAINT, os pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética para analisar a atividade cerebral dos pacientes — e descobriram uma sub-região específica dentro do córtex pré-frontal dorsolateral que poderia ser beneficiada. Segundo eles, a sub-região está ligada ao cingulado subgenual, uma parte do cérebro que é hiperativa em pessoas que sofrem de depressão.

Como explicou o coautor da pesquisa Keith Sudheimer, em pessoas deprimidas, a conexão entre essas duas regiões é fraca e o cingulado subgenual se torna hiperativo. Portanto, a equipe especulou que estimular a sub-região do córtex pré-frontal dorsolateral reduziria a atividade no cíngulo subgenual. E funcionou!


Resultados

Para realizar o estudo, os especialistas dividiram os voluntários em dois grupos: um que receberia o tratamento e outro que passaria por uma espécie de "experiência placebo", o que possibilitaria aos pesquisadores comparar o quão efetivo o método era.

Os pacientes que de fato passaram pela terapia foram submetidos a 10 sessões por dia de tratamentos de 10 minutos, com intervalos de 50 minutos entre eles. Como explicaram no estudo, em média três dias de terapia foram suficientes para que os participantes tivessem um abrandamento da depressão, e um mês após a terapia, 60% dos participantes ainda estavam em remissão.


Além disso, a equipe descobriu que as habilidades cognitivas dos voluntários melhoraram após o tratamento: tanto a capacidade de alternar entre tarefas mentais quanto a de resolver problemas foi aperfeiçoada. Como pontuaram os especialistas, esse é um resultado comum de terapias bem-sucedidas em pessoas que não estão mais deprimidas.

"Eu costumava chorar por nada", contou Deirdre Lehman, uma das voluntárias, em declaração à imprensa. "Mas quando coisas ruins acontecem agora, sou apenas resiliente e estável. Estou em um estado de espírito muito mais pacífico, capaz de apreciar as coisas positivas da vida com energia para fazer as coisas."

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fonte: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2020/04/tratamento-para-depressao-reduziu-sintomas-de-90-dos-pacientes-em-testes.html

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